Sexta-feira, 28 de Março de 2008

Ricky Wichovaniec, Temple of Sin

Templo Of Sin

Conversei ontem pelo MSN com Ricky Wichovaniec, vocalista da Temple of Sin. Seu ilustrissimo vocal e performance são algo de tirar o chapéu.

CLAUDIO JR, MJ - Além de um excelente vocalista. Quem é Ricky Wychovaniec?

RICKY WYCHOVANIEC - Sou uma pessoa batalhadora, sempre procuro fazer as coisas o melhor possivel. Gosto muito do que faço e de passar a diante também meus ensinamentos. Gosto de tranquilidade na hora de compor, tento ficar em outro estado de consciencia para vir as ideias e a inspiração. E assim vou vivendo! rsrs.

CLAUDIO JR, MJ - Bandas como o Angra e o Shaaman, sem dúvida jogaram luz sobre o Metal Nacional. Estas bandas ainda são a principal influencia da cena?

RICKY WYCHOVANIEC - Essas bandas sem dúvida ainda são influência para muitos, marcaram uma época muito boa do metal nacional é uma pena que tenha desmembrado. Mas tomara que todos ainda continuem na ativa! Pois é importante que essa fatia dessa pizza, essa grande percentagem de "fans de Angra e Shaman" exista, para que o metal brasileiro não seja esquecido pois foram bandas que conquistaram muita coisa, muitos anos de estrada e feitos.

CLAUDIO JR, MJ - Estariamos vivendo um periodo pós Angra ou pós-Angriano?

RICKY WYCHOVANIEC - Hehehe! Sei lá! Quem vai determinar essa nomenclatura. Não sei dizer!rsrs

CLAUDIO JR, MJ - A cena metal dos anos 70/80 teve um forte poder formador de caratér e personalidade para a geração que hoje é pai de familia, advogado ou político.... Voce acha que as bandas de hoje tem essa mesma força?

RICKY WYCHOVANIEC - Acho que não, porque hoje em dia as bandas são cópias das cópias, demonstram inveja umas das outras, e esquecem o principal que é deixar fluir uma composição que vem realmente da verdade íntima.
Muitos só se importam em mostrar tudo o que aprendeu na aula de música. Sem falar que antigamente as coisas eram mais autênticas e criativas.

CLAUDIO JR, MJ - Na sua opnião. A influencia Rock n Roll é positiva ou negativa para a formação de um caráter.

RICKY WYCHOVANIEC - Isso é muito relativo. Sabendo inovar e ser único é o que importa. mas lógico que tudo veio do Rock n Roll.

CLAUDIO JR, MJ - Mudando um pouco de assunto. RIcky Wychovaniec e carreira Solo? Nos fale sobre.

RICKY WYCHOVANIEC - Acho que ainda tenho muito trabalho em conjunto a ser feito. Acho que individualizar não é uma coisa tão boa assim.

CLAUDIO JR, MJ - O que leva um músico a deixar uma banda e começar uma carreita solo?

RICKY WYCHOVANIEC - Ou o estrelismo ou intriga entre integrantes. Um casamento já é difícil conciliar coisas entre o casal, agora imagine entre cinco pessoas. É muito complicado. Todos tem que ter o mesmo ideal e trabalhar por igual e ser maleável

CLAUDIO JR, MJ - Wychovaniec. De origem Filandensa?.

RICKY WYCHOVANIEC - Não. Polonesa. Meus avós vieram para o Brasil fugindo da guerra, chegando aqui no Brasil sem nenhum tostão e foram trabalhar na roça, esperando a guerra acabar. E acabaram ficando aqui mesmo. Até chegaram a voltar para a Polônia, mas já não havia mais nada, só ruínas. Então resolveram voltar.

CLAUDIO JR, MJ - Então porque da música cantada em Finlandês.

RICKY WYCHOVANIEC - Foi um pedido do guitarrista Timo Kaarkoski, que é Finlandês.

CLAUDIO JR, MJ - Aqui em Recife faltam poucos dias para um grande festival. O Abril Pro Rock. Como este festival é visto pela pelas bandas do Eixo Rio-São Paulo?

RICKY WYCHOVANIEC - É um festival muito legal, muito comentado. mas ainda assim falta um pouco de divulgação aqui para o nosso lado.

CLAUDIO JR, MJ - Quando poderemos ouvir o seu vocal aqui em Recife?

RICKY WYCHOVANIEC - Em breve. Já estou agendando algumas datas. mas se o pessoal pedir, irei mais rápido ainda.

CLAUDIO JR, MJ - Considerações finais.

RICKY WYCHOVANIEC - Um abraço do Temple of Sin à toda a galera de Recife, e lembrem-se: "O caminho da felicidade, é a simplicidade na vida". E Metal na veia!

CLAUDIO JR, MJ - Veja um video dos caras:

Quarta-feira, 19 de Março de 2008

Seu nome é Johnny!! O Novo Johnny Hooker

Johnny Hooker nos conta algo sobre sua nova postura e suas espectativas a cerca de projetos a longo prazo e a bem curto como o APR 2008!!  Johnny é certamente uma figura carismática e tem sempre algo pra nos falar.

CLAUDIO JR, MJ -  Do Glamour Rock ao Techno.  Qual a razão da mundança tão acentuada?

JOHNNY HOOKER - Na realidade foi uma mudança natural, sempre compus minhas músicas, até as mais antigas como Generation, com versões eletrônicas delas em mente. Além de ter sido amplamente influenciado desde sempre por artistas que fazem músicas orientadas para a vertente da dance music.

Acho que o ponto inicial dessa proposta eletrônica se deu em conjunção com uma mudança de vida, de repente eu não era mais tão jovem, nem tão rebelde, aquela velha história da sensação de que as suas ideologias, as suas convicções vão ficando menos extremas com o passar dos anos.

Então nesse novo momento eu queria fazer uma música que transmitisse esse outro universo no qual eu tinha acabado de ser inserido, que é o da música eletrônica, das boates, e de toda esse "conceito" clubber. Queria transformar minhas opiniões e sensações a respeito desse universo em arte.
Queria fazer as pessoas dançarem cantando o hino do seu próprio niilismo. Como se não houvesse amanhã.

CLAUDIO JR, MJ - Então como você resume a proposta do projeto?

JOHNNY HOOKER - O projeto é uma grande viagem, ou a tentativa de uma viagem, pelo amago do universo eletrônico. Seus personagens,
suas histórias, suas crenças e suas vidas.

CLAUDIO JR, MJ - Do que falam as músicas

JOHNNY HOOKER - Falam disso mesmo, dos personagens, do conceito da vida noturna, das suas histórias.
Tudo isso narrado por essa "persona" chamada Johnny Hooker. Ele conta como teve que se perder nesse universo, para ressurgir completamente reinventado, por isso que o conceito da capa do albúm remete a um "globo espelhado" que é nada menos do que o símbolo maior dessa cultura.

As músicas também tem um certo tom de crítica aos "clubbers", ao seu estilo de vida, a toda essa cultura imagética que norteia a noção do quem você é, e pior ainda, do que você tem que se tornar. Fake Superstars, por exemplo, fala disso.
Nas boates hoje em dia vejo que a sede por escapismo é tão grande, que ali não existe uma reflexão sobre o que está acontecendo, que grupo de pessoas é aquele, por que elas estão ali? As pessoas são tratadas como imagens. É como se a imagem se tornasse o "deus" dos tempos modernos, superando qualquer outra ideologia que possa existir.

E o seu "templo" é a pista de dança.

Por isso essa jornada do "personagem" Johnny Hooker começa com "Now the party started/ Now will be the fake" em Hard Beat e
termina com a incorporação completa desse mundo em Party People "I just wanna dance you motherfucker."

No final dessa jornada J.H. já se tornou um simulacro dessa realidade, em sua origem estrita, do latim, simulacru,
que significa divindade ou personalidade pagã.

Tem a ver também com o mundo "hiper-real", dominado por imagens, já descrito por Jean Baudrillar em Simulacros e Simulações.

CLAUDIO JR, MJ - Mas então existe a intensão de deixar algum recado?

JOHNNY HOOKER - Acho que a própria frase que norteia esse trabalho já dá o suficiente pra se pensar, é a condensação máxima da minha opinião sobre o "universo" eletrônico.
"Todas as ideologias morreram. Nós só queremos dançar."

CLAUDIO JR, MJ - O que mudou desde o Microfonia 2007 ?

JOHNNY HOOKER - Mudou que agora não existe mais "banda" fixa. Só tocarei com músicos convidados.
E isso na minha opinião é ótimo, acho que assim as músicas não se esgotam, elas se mutam a cada elemento novo trazido, cada pessoa diferente acrescenta um novo background musical as músicas. Além de ser uma maneira de deixar um pouco menos chato cantar a mesma música 300 mil vezes.

CLAUDIO JR, MJ - Seu nome é Johnny? (Alusão ao Filme com Selton Mello)  Quero dizer, existe diferença entre o Johnny de casa e o Johnny dos Palcos ?

JOHNNY HOOKER - São completamente opostos. O Johnny de casa é tranquilo e até certo ponto tímido, além de se vestir "normalmente".
O Johnny dos palcos é um incêndio. É aonde eu me sinto totalmente em casa. E é curioso por que considero um ato de extrema solidão cantar,é um ato sozinho. É quase como se fosse uma solidão pública. Mas ao mesmo tempo é um exorcismo extremo, é a hora de encarar os fantasmas, e entrar em catarse coletiva. E de certa forma se libertar num ritual espiritual.

CLAUDIO JR, MJ - O Abril Pro Rock é mesmo o sonho de toda banda?

JOHNNY HOOKER - Não sei o de toda banda. Mas é uma das metas para qualquer banda que queira crescer.
Ainda é ainda uma das maiores vitrines locais. E sem contar que faz parte da minha vida, da minha memória afetiva e artistíca.

CLAUDIO JR, MJ - Você já ouviu falar sobre a "Maldição do APR?"  Diz a lenda que a banda pernambucana que tocar no ABril, ou acaba ou vai ter de tomar muito banho de sal grosso pra fazer outro show.

JOHNNY HOOKER - Isso é comum depois de grandes realizações. Além do que é comum em Recife, que tem uma cultura que tende a não prestigiar muito bandas independentes.

O mercado de shows "independentes" é muito pequeno e deficiente. Falta estrutura, faltam produtores.
Não falta gente talentosa. Nem artistas novos querendo mostrar seu trabalho.

O que falta é boa vontade e curiosidade do público, dos produtores e do governo.

CLAUDIO JR, MJ - Com que banda pernambuca você gostaria de fazer uma Jam.

JOHNNY HOOKER - São tantas. Acho que já fiz com várias, com Mellotrons eu já fiz, com as Barbis, com a Vamoz!, não foram bem jams mas participações especiais. Acho que a próxima vai ser o Júlia Says, que é uma das bandas mais legais a surgir em muito tempo. Também tem muita gente talentosa que fazem trabalhos inteiramente diferentes do meu, mas com os quais me identifico muito também.

Os caras da Comuna, do Pé Preto, e claro não poderia deixar de citar a minha "família" do Monomotores.

Eu tenho a sorte de conviver bastante com músicos que eu admiro muito.

CLAUDIO JR, MJ - Alguem famoso que voce gostaria de chamar de Idiota.

JOHNNY HOOKER - Tanta gente que eu prefiro nem começar.

CLAUDIO JR, MJ - Alguem que vc beijaria!

JOHNNY HOOKER - Não me vem a mente nimguém agora!

CLAUDIO JR, MJ - Daqui a 5 anos.  O que a Johnny Hooker estará fazendo?

JOHNNY HOOKER - Conquistando o mundo! Ou quem sabe internado na rehab. Mas definitivamente bem longe de Recife.

CLAUDIO JR, MJ - Considerações finais.

JOHNNY HOOKER - Queria agradecer pelo convite. Agradecer a todos os amigos que tão ajudando nessa votação para o APR.
E pedir mais uma vez pra todo mundo votar lá no Link Musical!
Tem que acabar com essa caretice no APR. A gente tem que botar fogo nesse puteiro!
www.linkmusical.com.br/abril vota lá!