Fábio Laguna fala.
Conversei esta semana com Fábio Laguna. Um cara muito centrado e competente que imprime estas caracteristicas no Angra, Hangar, Almah e em seu projeto particular, o Freakeys.
Frente a tanto zum-zum-zum sobre a troca de declarações entre os integrantes do Angra, (tornando público o que todos já percebíamos) Fábio prefere nos falar sobre tantas coisas boas que estão rolando acima de tudo isso. Apesar do fato de ter sabido apenas através da imprensa que também está fora do Almah, sem ter nada com essa briga de egos gigantescos.
Com vocês o "monge" Fabio Laguna, tecladista do Hangar.
1. O Cd do Hangar esta simplesmente perfeito. Outras bandas lançaram trabalhos na mesma época, mas realmente o do Hangar se destacou na qualidade da gravação e nos detalhes dos arranjos. A que se deve esta qualidade?
Muito obrigado pela sua opinião. A gente se preocupou muito com os detalhes, em todos os sentidos. Mesmo que todas as composições do TROYC tenham sido feitas de forma muito espontânea, não posso dizer o mesmo em relação aos arranjos. Todos os detalhes foram pensados e repensados antes de decidirmos o que entraria no disco. A gente teve bastante tempo pra isso. A qualidade do disco também é resultado das parcerias que escolhemos. Fomos muito felizes em gravá-lo no Mr. Som, com pessoas altamente qualificadas quando se fala em música pesada, e também acertamos em cheio ao mixar o álbum com o Tommy Newton.
2. Num álbum tão agressivo. Qual o papel dos teclados?
É fazer com que o álbum não fique tão agressivo, rs. Certamente quando se fala em heavy metal, está claro que é a guitarra e a bateria que ditam a energia da maioria das partes. Mas mesmo quando temos uma base thrash metal há espaço para encaixar um arranjo de teclado que não soe forçado. Digamos que em muitas partes o teclado é encarado como a música sobre a música. E em outros trechos, como acontece com todos os outros instrumentos, é o teclado que assume o foco.
3. Você é um músico que trabalha em múltiplos projetos, mas em qual você se sente mais à vontade?
Dificilmente desenvolvo um trabalho contínuo em que não esteja sentindo prazer em fazê-lo. De um modo geral, os projetos mais duradouros são os mais prazerosos, têm sempre uma pretensão e uma organização maiores em volta deles e, por causa disso, há um envolvimento maior.
4. Como é fazer uma turnê numa Van?
É normal. Gosto de estrada, cresci com isso. No caso do Hangar, viajar de van tem sido uma ferramenta muito importante. Nós oferecemos um show com muito mais qualidade, pra quase qualquer lugar do Brasil, porque a gente consegue levar quase 2000Kgs de equipamentos em um trailer. Isso facilita em muito a vida de quem contrata a banda e facilita muito a nossa vida também.
5. Pra usar a roupa preta, tem de ser caveira?
Hahahah... Até tu? Sim, pra estar no Hangar tem que vestir a farda preta sim, rsrs.
6. Quem idealizou e confeccionou as roupas do Hangar?
Foi a Lady Snake.
7. Explica pra gente qual é essa viagem tema do CD. Eu percebo que existe uma estória, uma coisa teatral Psycho, tipo Slipknot???!! Explica pra gente.
Sim, você percebe uma estória porque tem uma estória. É um álbum conceitual, praticamente uma ópera metal. A gente respeita muito o trabalho do Slipknot, mas o TROYC não tem nada a ver eles. E o tema está longe de ser uma viagem. É difícil falar de serial killer sem soar repetivo. Olha só o tanto de filmes, livros e casos que existem sobre o assunto. No TROYC, o Aquiles preferiu falar sobre o comportamento, o planejamento, as ânsias de um serial killer, não sobre os atos em si, que estes sim são banais. A estratégia e a destreza do assassino é que são impressionantes. É um quadro claro de que como alguns de nós, humanos, com nossos códigos, alimentamos nosso lado “animal”, por simplesmente não conseguirmos subsistir.
8. Após o show de Recife, por onde tem andado o Hangar?
Estivemos em Aracajú e Assunção ainda em dezembro. A gente deu uma paradinha em janeiro para descansar e preparar para a tour desse ano. Até agora, depois de Recife, fizemos 5 apresentações acústicas e 4 shows.
9. Como foi o show com o Dream Theather?
Foi muito bom! O Hangar precisava de uma oportunidade dessas pra mostrar nossas músicas para um grande número de pessoas. Fomos muito elogiados pelo público e pela própria produção do Dream Theater, que nos tratou com muito respeito, inclusive permitiu que a gente usasse boa parte da iluminação e os telões deles. Esse tipo de coisa é raro para uma banda de abertura.
10. E o último show em Cascavel?
Não só em Cascavel, como nos outros shows pelo sul, temos percebido que mais e mais pessoas conhecem o TROYC. Pelo pouquíssimo número de shows que fizemos até agora, já que o lançamento do disco ainda é recente, posso dizer que o Hangar está se dando muito bem.
11. Como anda o seu projeto Freakeys?
No momento estamos concentrados na divulgação do TROYC. Quanto ao Freakeys, tanto os shows como a gravação de um novo disco terão que esperar um pouco. Assim que tiver uma pausa na agenda do Hangar pretendo começar a trabalhar nisso, mas ainda não sei quando será.
12. Quando o Freakeys vem pra Recife?
Huuum, sem previsões, quando nos convidarem, rs.
13. Fabio Laguna e suas metas para 2008.
Tocar, tocar, tocar, tocar, rs
14. Considerações finais.
Gostaria de agradecer pela forma carinhosa que os recifenses nos tratam sempre que estamos por aí. Esperamos estar de volta em breve. Basicamente começamos essa tour pelo nordeste, quando as músicas ainda eram novidades porque o disco tinha acabado de ser lançado. A banda está com mais fluência agora, depois de mais ensaios e shows, e o público está cada vez mais familiarizado com o TROYC. Vai ser uma loucura quando nos passarmos por aí de novo, rs. Até lá.


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