Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

Anencefalia: Menina completa 175 dias de vida

 

Hoje, Marcela de Jesus Ferreira -que nasceu com anencefalia- completa 175 dias de vida. É um fato de extrema relevância, pois nos convida a refletir sobre a dignidade da vida humana, mesmo dos sofredores e doentes.
Alguns afirmam que por trás das propostas de aborto de anencéfalos se esconde uma concepção eugênica da vida humana. Pode ser. Mas creio que também está subjacente um pessimismo diante do futuro, e especialmente diante da dor e da morte. Ter um filho doente é sempre um sofrimento, seja essa doença congênita ou adquirida. Se essa doença leva à morte, maior ainda é o sofrimento dos pais.
Mas será que o sofrimento tem a última palavra? Diante da perspectiva da morte, nada mais restaria a não ser antecipá-la para se evitar o sofrimento dos familiares (especialmente da mãe)? Penso que ao propor o aborto de anencéfalos ou outros doentes graves, está-se preso a uma concepção imanentista da vida, fechada neste mundo, e sem perspectivas. O aborto é uma atitude de ceticismo diante da vida, que passa a valer não por sua beleza inerente mas por sua aparência.

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